Stan Wawrinka queria terminar sua passagem pelos quatro Grand Slams dentro da quadra. Um convite de última hora do US Open permitiu que esse desejo chegasse até Nova York e, na segunda-feira, 31 de agosto, o suíço recebeu no Grandstand uma despedida que atravessou o resultado. Matteo Berrettini venceu por 7-6(4), 7-6(3) e 6-0; o público, porém, manteve Wawrinka no centro da noite.

Era a última partida de Grand Slam de uma carreira construída sem atalhos. Aos 41 anos, Wawrinka voltou ao torneio em que estreou em 2005, completou sua 18ª participação e encerrou o percurso com 46 vitórias em 63 partidas. Ele ainda jogará até o fim da temporada, mas já não haverá outro major em seu calendário profissional.

A atuação teve duas camadas. Na primeira, Wawrinka ainda produziu o jogo que o tornou reconhecível: peso de bola, coragem para acelerar e o backhand de uma mão capaz de mudar a temperatura da arquibancada. Recuperou uma quebra no primeiro set, teve chances nos dois primeiros parciais e levou Berrettini a dois tiebreaks. Na segunda, apareceu a realidade atual: as oportunidades escaparam, a confiança não sustentou os pontos decisivos e o terceiro set terminou em 6-0.

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Wawrinka não tentou esconder essa diferença. Depois do jogo, disse que o nível havia sido alto durante dois sets e reconheceu como é difícil fechar chances quando as vitórias se tornam menos frequentes. A despedida não precisou transformar uma derrota em triunfo. Seu valor estava na possibilidade de mostrar, por mais uma noite, os golpes e a insistência que definiram a carreira.

Nova York é o lugar certo para essa síntese. Wawrinka foi semifinalista do US Open em 2013 e 2015 antes de conquistar o título em 2016, superando Novak Djokovic na final. A vitória completou sua coleção de três majors, depois do Australian Open de 2014 e de Roland Garros em 2015. Em cada uma dessas finais, derrotou o então número 1 do mundo.

Esse currículo ganhou significado especial porque surgiu no período dominado por Federer, Nadal e Djokovic. Wawrinka não acumulou a mesma quantidade de troféus, mas abriu espaço para uma carreira singular: quando seu jogo atingiu o máximo, ele venceu os melhores nos maiores palcos. O título de 2016 permanece como a lembrança definitiva dessa capacidade.

O Grandstand entendeu o peso da ocasião. O estádio ficou lotado, os aplausos acompanharam cada tentativa de reação e a cerimônia posterior permitiu que Wawrinka agradecesse a energia recebida desde a primeira visita. Ele atribuiu a momentos assim parte da razão para ter jogado até os 41 anos e resumiu a saída sem disfarçar a emoção: “Vou sentir muita falta disso.”

Berrettini, vencedor correto e firme nos dois tiebreaks, tornou-se também testemunha da despedida. Disse que era criança quando via Wawrinka ganhar Grand Slams e reconheceu a atmosfera que o suíço merecia. O gesto não mudou quem avançou à segunda rodada; apenas devolveu à partida sua dimensão histórica.

Wawrinka deixa os majors com três títulos, uma identidade técnica imediata e a prova de que uma carreira não precisa dominar uma era inteira para alterá-la. Em Nova York, o campeão de 2016 recebeu uma última oportunidade de ouvir isso diretamente do público.

Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 1º de setembro de 2026.