O sorteio do US Open colocou Carlos Alcaraz na mesma metade de Novak Djokovic, mas a campanha do sérvio não começa com a semifinal que todos imaginam. Ela começa diante de Mariano Navone e pode ganhar, já na segunda rodada, um reencontro carregado de memória com Stan Wawrinka ou um duelo de potência contra Matteo Berrettini.

Djokovic chega a Nova York como quarto cabeça de chave, aos 39 anos, em busca do 25º título de Grand Slam e do quinto troféu no US Open. A conquista mais recente em um major aconteceu justamente em Flushing Meadows, em 2023. Desde então, cada chave de Slam transforma a ambição histórica em assunto central, mas nenhuma campanha se constrói de uma vez.

Navone é o primeiro obstáculo. Se avançar, Djokovic enfrentará o vencedor de Berrettini e Wawrinka. O suíço disputa o último Grand Slam da carreira e retorna ao torneio dez anos depois do título de 2016, conquistado em uma final contra o próprio Djokovic. O sorteio não garante a revanche, mas devolve a possibilidade ao mesmo palco.

Depois, a projeção dos cabeças de chave aponta Brandon Nakashima nas oitavas de final e Daniil Medvedev nas quartas. Nakashima chega a Nova York no melhor ranking da carreira depois de uma forte temporada de quadra dura nos Estados Unidos. Medvedev é um dos cinco campeões anteriores reunidos nesta metade e venceu Djokovic na final de 2021, quando o sérvio perseguia o Grand Slam de calendário.

Só então aparece Alcaraz. O confronto direto entre os dois está empatado em 5 a 5, e o espanhol venceu a única partida de 2026, na final do Australian Open. Em Nova York, porém, Alcaraz também carrega uma incógnita: a estreia contra Roman Safiullin será seu primeiro jogo oficial desde abril, após uma lesão no punho direito.

A ausência de Jannik Sinner reorganizou toda a chave. O número 1 do mundo retirou-se por causa de uma lesão no joelho direito, Alexander Zverev virou o principal cabeça de chave e Alcaraz assumiu a posição de número 2. Zverev ficou na metade superior, enquanto todos os ex-campeões do US Open presentes — Djokovic, Alcaraz, Medvedev, Wawrinka e Marin Cilic — foram concentrados na metade inferior.

Esse desenho torna a rota de Djokovic difícil, mas também profundamente ligada à sua própria história em Nova York. Wawrinka e Medvedev representam duas finais perdidas; Alcaraz representa a rivalidade atual e a derrota mais recente em uma decisão de Slam. Cada nome possível oferece uma narrativa conhecida, embora cada partida deva ser conquistada no presente.

A chave também pede cautela com os atalhos. Berrettini pode impedir o reencontro com Wawrinka. Nakashima, Andrey Rublev e Cilic ocupam o corredor das oitavas. Medvedev precisa sobreviver ao seu próprio setor. Alcaraz divide o quarto final com Ben Shelton e Arthur Fils, campeões dos Masters 1000 de Montreal e Cincinnati.

Para Djokovic, portanto, o torneio não começa como uma corrida direta até Alcaraz. Começa como uma sequência de problemas concretos: o peso da estreia, um adversário de segunda rodada com grande saque ou enorme simbolismo e uma metade repleta de campeões. Se a semifinal dos sonhos acontecer, será porque ele transformou cada lembrança em mais uma vitória.

Fontes consultadas: ATP Tour e US Open/USTA. Apuração atualizada em 28 de agosto de 2026.