O caminho projetado de Novak Djokovic em Nova York começava por Mariano Navone. Na noite de domingo, 30 de agosto, ele também terminou ali. O argentino venceu por 7-6(5), 5-7, 4-6, 6-2 e 6-1, em 4h36, e encerrou na primeira rodada a tentativa do sérvio de conquistar o 25º título de Grand Slam.
Djokovic esteve perto de transformar outra partida difícil em sobrevivência. Depois de perder o primeiro set no tiebreak, ganhou o segundo por 7-5, quebrou no fim do terceiro e abriu vantagem no quarto. A partir desse ponto, porém, seu deslocamento e sua capacidade de sustentar os ralis diminuíram. Navone recuperou a quebra e venceu 11 dos últimos 14 games.
A dificuldade física foi visível. Djokovic vomitou durante a partida, teve câimbras e recebeu atendimento antes do quinto set. Mais tarde, explicou que náusea e dores têm aparecido em suas partidas nesta temporada e disse que costas e ombro limitaram a reação final. Sem um diagnóstico divulgado, não cabe transformar o relato em prognóstico; cabe registrar que o corpo deixou de responder no momento em que a partida exigia mais.
Navone não venceu apenas porque o adversário perdeu rendimento. O número 49 do mundo salvou o primeiro set depois de estar uma quebra atrás, continuou buscando devoluções agressivas quando Djokovic virou o placar e entrou no quinto set sem carregar o peso da ocasião. Converteu seis de 17 break points e conquistou a primeira vitória de sua carreira em uma partida de cinco sets.
Para Djokovic, o resultado encerra uma sequência de duas décadas. Sua derrota anterior na estreia de um Slam havia sido no Australian Open de 2006. Em 20 participações no US Open, esta foi a primeira eliminação na rodada inicial. O contraste com suas 95 vitórias e quatro títulos em Nova York torna a noite ainda mais incomum.
A busca pelo 25º major, que organizava toda a leitura de sua chave, fica adiada. A projetada semifinal contra Carlos Alcaraz não chegou a existir; os possíveis reencontros com Stan Wawrinka e Daniil Medvedev também desapareceram. O desenho publicado dois dias antes era um mapa de possibilidades. Navone mostrou por que nenhuma delas era promessa.
A derrota não responde sozinha às perguntas sobre o calendário ou o futuro de Djokovic. Aos 39 anos, ele ainda vinha de uma final no Australian Open e de uma semifinal em Wimbledon nesta temporada. Também havia perdido cedo em Cincinnati, com problemas físicos. O dado responsável, por enquanto, é mais estreito: sua campanha no US Open de 2026 terminou na primeira noite.
Quando deixou Arthur Ashe, Djokovic acenou para o público e fez um coração com as mãos. O gesto pode carregar frustração, gratidão ou apenas a despedida daquela sessão; não precisa ser transformado em anúncio. A história concreta pertence a Navone, que enfrentará Matteo Berrettini ou Wawrinka na segunda rodada, e a Djokovic, que terá de reorganizar corpo e calendário antes da próxima tentativa.
Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 31 de agosto de 2026.
